A Volkswagen prepara uma nova etapa na sua gama de automóveis elétricos com o ID. Tiguan, um SUV que chega ao mercado europeu no início de 2027 para substituir os atuais ID.4 e ID.5. Mais do que uma mudança de nome, o novo modelo representa uma alteração de estratégia: recuperar designações conhecidas e aproximar os elétricos da identidade dos automóveis que ajudaram a construir a reputação da marca alemã.
Apresentado em outubro, o ID. Tiguan combina uma imagem mais próxima dos SUV tradicionais da Volkswagen com uma plataforma elétrica evoluída, um interior que recupera comandos físicos e uma autonomia anunciada de até 600 quilómetros em ciclo WLTP.
Um nome conhecido para uma nova geração de elétricos
A decisão de recuperar o nome Tiguan não é por acaso. Lançado em 2007, este SUV tornou-se um dos modelos mais importantes da Volkswagen, com milhões de unidades vendidas em todo o mundo.
Depois do ID. Polo e do ID. Cross, o ID. Tiguan é mais um exemplo da nova estratégia da marca, que pretende associar a sigla ID a nomes familiares, em vez de depender exclusivamente de designações numéricas.
O novo SUV elétrico irá substituir os ID.4 e ID.5, reunindo numa única proposta o espaço e a versatilidade de ambos. Ainda assim, o Tiguan com motores a gasolina, Diesel e híbridos plug-in continuará a ser comercializado em paralelo.
Design mais robusto e aerodinâmico
O ID. Tiguan estreia a linguagem de design Pure Positive, marcada por linhas horizontais, superfícies mais definidas e uma aparência mais robusta do que a dos modelos que vem substituir.
Na dianteira, destacam-se a assinatura luminosa horizontal e a possibilidade de iluminação do emblema da Volkswagen. Na traseira, os elementos luminosos seguem a mesma orientação, reforçando a largura visual do conjunto.
A marca recorre também a soluções aerodinâmicas, como cortinas de ar e um difusor traseiro, para reduzir a resistência ao avanço. Com jantes de 19 polegadas, o coeficiente aerodinâmico anunciado é de 0,26, um valor relevante para um SUV elétrico.
Em termos de dimensões, o novo modelo mede 4,62 metros de comprimento, 1,85 metros de largura e 1,62 metros de altura. A distância entre eixos é de 2,765 metros, contribuindo para o espaço disponível a bordo.
Três motorizações e até 600 km de autonomia
A gama de lançamento será composta por três versões, com diferentes níveis de potência, capacidades de bateria e configurações de tração.
O ID. Tiguan Pure, com tração traseira, utiliza um motor elétrico de 140 kW (190 cv) e uma bateria LFP de 58 kWh úteis. A autonomia anunciada chega aos 450 km em ciclo combinado WLTP, enquanto a aceleração dos 0 aos 100 km/h é cumprida em 8,5 segundos. A velocidade máxima é de 160 km/h.
No nível de equipamento Pro, a potência aumenta para 210 kW (286 cv). Esta versão mantém a tração traseira, mas passa a utilizar uma bateria NMC de 77 kWh, que permite anunciar até 600 km de autonomia. A aceleração dos 0 aos 100 km/h demora 6,6 segundos e a velocidade máxima sobe para 180 km/h.
No topo da gama estará o ID. Tiguan Pro 4Motion, equipado com dois motores elétricos, um por eixo, que asseguram tração integral e uma potência máxima combinada de 220 kW (299 cv). Esta versão acelera dos 0 aos 100 km/h em 6,3 segundos e atinge os mesmos 180 km/h de velocidade máxima. A autonomia anunciada desce ligeiramente para 560 km, devido à configuração de tração integral.
A versão Pure utiliza uma bateria LFP (fosfato de ferro-lítio), enquanto as duas versões Pro recorrem à química NMC (níquel, manganês e cobalto). A Volkswagen anuncia ainda carregamentos dos 10% aos 80% em aproximadamente 26 minutos para a bateria de 58 kWh e 29 minutos para a de 77 kWh.
A gama poderá crescer posteriormente com versões desportivas GTI e R, embora estas não façam parte da oferta inicial confirmada.
Um interior que combina ecrãs com botões físicos
No habitáculo, a Volkswagen procurou responder a algumas das críticas dirigidas aos primeiros modelos elétricos da família ID. O resultado combina uma forte componente digital com o regresso de comandos físicos para funções utilizadas frequentemente.
O painel de instrumentos digital tem 10,2 polegadas e o ecrã central de infoentretenimento mede 15 polegadas. Pela primeira vez num Volkswagen destinado ao mercado europeu, estará também disponível um terceiro ecrã de 12 polegadas à frente do passageiro dianteiro, pensado para funções de informação e entretenimento.
A climatização, o volante e o sistema de som voltam a contar com comandos físicos dedicados, tornando a utilização de algumas funções mais direta.
Outra novidade é o modo de visualização retro, inspirado no Volkswagen Golf IV, que permite recuperar o grafismo azul e vermelho do painel de instrumentos do final dos anos 90. O sistema de infoentretenimento inclui ainda uma garagem virtual com modelos históricos da marca.
Entre os equipamentos disponíveis encontram-se bancos dianteiros com regulação elétrica, ventilação e massagem, teto panorâmico, carregamento sem fios para dois smartphones e sistema de som Harman Kardon.
Mais espaço e versatilidade no dia a dia
O ID. Tiguan oferece uma bagageira com 534 litros de capacidade, complementada por um compartimento dianteiro de 32 litros, ideal para guardar objetos mais pequenos.
A capacidade de reboque também merece destaque: até 1.800 kg nas versões com bateria de 58 kWh e até 2.000 kg nas variantes equipadas com a bateria de 77 kWh.
A versão de tração traseira apresenta ainda um diâmetro de viragem de 10,2 metros, uma característica que poderá facilitar as manobras em cidade.
No equipamento de assistência à condução, o modo One Pedal faz parte da oferta de série. Em opção, o Connected Travel Assist permite apoiar mudanças de faixa em autoestrada e inclui funções de assistência perante semáforos, enquanto o Park Assist Plus ajuda a encontrar lugares e a estacionar.
Quando chega e quanto vai custar?
A chegada do Volkswagen ID. Tiguan ao mercado europeu está prevista para o início de 2027. Na Alemanha, as pré-encomendas deverão arrancar em outubro, com um preço de entrada anunciado de 42.695 euros.
Para Portugal, os preços ainda não foram oficialmente confirmados. As primeiras estimativas apontam para cerca de 46.000 euros para a versão Pure, 50.000 euros para a Pro e 54.000 euros para a Pro 4Motion, mas estes valores devem ser encarados como indicativos.
A Volkswagen muda de estratégia nos elétricos
O ID. Tiguan representa uma mudança importante na abordagem da Volkswagen aos automóveis elétricos. Ao recuperar um nome reconhecido, adotar um design mais próximo dos SUV tradicionais e devolver protagonismo aos comandos físicos, a marca procura tornar a sua gama elétrica mais familiar e intuitiva.
Com três motorizações, até 600 quilómetros de autonomia e uma bagageira de 534 litros, o novo modelo assume o papel de sucessor dos ID.4 e ID.5 e prepara-se para ser uma das peças centrais da próxima fase elétrica da Volkswagen.





















