A Alpine levantou um pouco mais o véu sobre a próxima geração do A110, o desportivo mais emblemático da marca francesa. Mas, desta vez, fê-lo literalmente: em vez de mostrar o automóvel, apresentou uma escultura à escala real coberta por uma espécie de véu azul, que permite antecipar as formas do futuro modelo.
A peça será apresentada no Salão Automóvel de Paris e, segundo a Alpine, representa uma visão artística dos principais elementos que vão definir a carroçaria da terceira geração do A110.
O A110 muda, mas não esquece o passado
Apesar da profunda transformação que se aproxima, a Alpine pretende preservar a identidade que acompanha o A110 desde a Berlinette original dos anos 60.
A escultura deixa perceber uma dianteira em V, assinatura luminosa dupla, um perfil muito baixo e uma traseira rebaixada, mantendo as proporções características de um pequeno coupé desportivo.
Curiosamente, uma das inspirações assumidas pela Alpine foi o Concorde. O famoso avião supersónico franco-britânico serviu de referência para transmitir conceitos como velocidade, leveza e eficiência aerodinâmica.
Pela primeira vez, o A110 será elétrico
A grande revolução estará, contudo, debaixo da carroçaria.
A terceira geração será desenvolvida sobre a nova Alpine Performance Platform (APP), uma arquitetura criada especificamente para os futuros desportivos da marca e equipada com um sistema elétrico de 800 volts, permitindo carregamentos de elevada potência.
Para preservar uma das características fundamentais do A110 — a agilidade — a Alpine está particularmente focada na distribuição do peso e numa posição de condução baixa.
Em vez de concentrar uma grande bateria debaixo do habitáculo, a solução em desenvolvimento divide o conjunto de baterias em duas zonas do chassis. O objetivo passa por conseguir uma distribuição de peso próxima dos 40:60 entre os eixos dianteiro e traseiro.
Dois motores no eixo traseiro
O protótipo de desenvolvimento já apresentado pela Alpine utiliza dois motores elétricos no eixo traseiro, um para cada roda.
Esta configuração permite controlar individualmente a potência enviada a cada roda através de vectorização ativa de binário, procurando manter o comportamento ágil que se tornou numa das imagens de marca do A110.
A Alpine ainda não revelou dados definitivos sobre potência, capacidade da bateria, autonomia ou prestações, pelo que será necessário esperar pela apresentação do modelo de produção para conhecer os números finais.
Uma nova vida para um nome histórico
O A110 original nasceu em 1962 e tornou-se um dos automóveis franceses mais emblemáticos, conquistando também uma importante reputação nos ralis. O nome regressou em 2017 com a segunda geração, mantendo a filosofia de baixo peso e dimensões compactas do original.
Agora prepara-se para uma transformação ainda mais profunda.
A terceira geração do Alpine A110 está prevista para 2027 e terá a difícil tarefa de transportar para a era elétrica aquilo que sempre definiu o modelo: baixo peso, agilidade e prazer de condução.
A escultura mostra apenas as primeiras formas. O verdadeiro desafio será perceber se, sem motor a gasolina, o próximo A110 continuará a ter o carácter que tornou este pequeno desportivo francês tão especial.














